sábado, 23 de maio de 2009

A NBA e seus cabeças-de-área... - Por Wagner Silva


Bruce Bowen e uma de suas faltas "que merecem cartão"


Na batalha entre Los Angeles Lakers e Denver Nuggets, os "cabeças-de-área" podem ser decisivos.

Você não está lendo errado, tampouco eu estou viajando. Há alguns anos, tal como no futebol, a NBA tem visto o surgimento de um grande contingente de jogadores feitos para marcar, como os volantes ou, como preferir, os "cabeças-de-área". São jogadores designados para marcar o principal nome do time adversário, ao mesmo tempo que, quando seu time ataca, não recebem a bola com frequência. Geralmente, jogam na posição 3, de ala, pois têm altura para marcar armadores e até mesmo alas-pivôs.

Um dos precursores desta geração de "cabeças-de-área" é Bruce Bowen. O camisa 12 do San Antonio Spurs, mesmo atuando por cerca de 30 minutos por jogo, tem como maior média de pontos em sua carreira ridículos 8.2 pontos. Ele não pega rebotes, não rouba bolas, não dá assistências, enfim, estatiscamente falando, Bowen é uma negação.

Então, o que ele faz em quadra? É simples: ele faz da vida do melhor jogador de seus adversários um inferno. Que Bowen é um bom marcador no um-contra-um, isto é fato! Ele é um dos melhores da liga neste quesito. Mas seu "arsenal defensivo" é muito mais amplo. Bowen provoca, dá cotoveladas, deixa o pé para sua "presa" pisar quando aterrissa de um arremesso, tentando provocar uma torção de tornozelo. Enfim, a deslealdade em seu jogo é notável. Por isso, ele é tão impopular entre os jogadores da NBA. Diz a lenda que, na preparação da seleção norte-americana para o Mundial de 2006, Bruce Bowen, parte da equipe, era excluído por seus companheiros. No casino do hotel em que a equipe estava, em Las Vegas, enquanto Bowen jogava em uma mesa, os demais jogadores iam para uma mesa distinta. Isto, aliado ao mau desempenho de Bowen, teria deixado o camisa 12 fora do Mundial.

Hoje em dia, outros "cabeças-de-área" têm ganhado espaço em seus times. Muitos deles igualmente improdutivos ofensivamente quanto Bowen, nenhum deles, tão desleal.

No futebol, existem vários tipos de cabeças-de-área. Abaixo, segue uma lista, comparando estes estilos aos jogadores da NBA:

- Brucutu: é aquele que só sabe marcar e, quando a bola está sob seu domínio, mal sabe o que fazer. Na NBA, temos, além do próprio Bruce Bowen, Dahntay Jones (Denver Nuggets), Quinton Ross (Memphis Grizzlies), Trenton Hassell (New Jersey Nets) e Thabo Sefolosha (Oklahoma City Thunder).

- Taticamente disciplinado: até tem talento para produzir no ataque, mas segue a determinação do treinador e fica "na dele". Antoine Wright (Dallas Mavericks), Aaron Aflalo (Detroit Pistons), Corey Brewer (Minnesota Timberwolves), Mickael Pietrus (Orlando Magic), Nicolas Batum (Portland Trail Blazers) e DeShawn Stevenson (Washington Wizards) são bons exemplos.

- Elemento-surpresa: fica no seu canto, escondido, deixando os astros brilharem. Mas, quando o time precisa, ele sempre está lá para resolver. Caso de Tayshaun Prince (Detroit), Shane Battier (Houston Rockets), Trevor Ariza (Los Angeles Lakers) e James Posey (New Orleans Hornets).

- Craque: mesmo tendo como principal característica o poder defensivo, sobreassai tecnicamente e é uma das principais armas ofensivas de seu time. Ron Artest (Houston Rockets), Andrei Kirilenko (Utah Jazz) e Shawn Marion (Toronto Raptors), estes dois últimos longe de suas melhores fases, se encaixam perfeitamente neste caso.


É notado também que, geralmente, cada equipe possui apenas um "cabeça-de-área". O Houston Rockets, com Artest e Battier no time titular, é um raro caso em que jogadores deste tipo atuam juntos. Felizmente, ambos são ótimos jogadores e o time não perde ofensivamente. Só espero que os "brucutus" não passem a dominar a escalação de suas equipes, pois aí poderíamos ver times dignos de atuarem no futebol brasileiro, que vira-e-mexe nos proporciona um "belo espetáculo", com três ou quatro volantes no meio-campo.

Seja no futebol, no basquete ou em qualquer esporte coletivo, o que o povo quer ver é talento, técnica, genialidade. Tudo bem que raça é fundamental. E que os melhores jogadores da NBA, como LeBron James e Kobe Bryant, também são ótimos marcadores. Mas, primeiro, eles se preocupam em jogar. A NBA é o que é nos dias de hoje por causa deles e de seus antecessores, como Michael Jordan e Magic Johnson, não por causa de Bowens, Hassells e companhia...

2 comentários:

Unknown disse...

Faltou o Kobe como cabeça de área e gênio no ataque. E acho que o Sefalosha sabe o que fazer com a bola...

Wagner Bebê disse...

Comentário do Andre Iguodala ontem no Twitter: "dontay jones, dirty??? no waaaaayyyy (sarcasm)...."

Traduzindo: Dahntay Jones, sujo??? De jeeeeito nenhum (sarcasmo)...."

Pelo visto, alguém segue a passos largos Bruce Bowen...