segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A um passo do paraíso - Por Vinicius Carvalhosa

Após mais uma temporada finalizada no WCT, o circuito mundial de surfe, o agora eneacampeão mundial Kelly Slater confirmou o que todos já vinham murmurando há algum tempo: sim, ele é o maior surfista de todos os tempos, superando nomes como Tom Curren.

Slater quase anunciou sua aposentadoria ao fim da temporada passada, quando o australiano Mick Fanning sagrou-se campeão, levando a Austrália (país com maior número de surfistas na divisão de elite) de volta ao topo do pódio pela primeira vez desde 1999, quando o lendário Mark Occhilupo levou o título para os aussies. A motivação de Slater foi, além da paixão pelo esporte, um generoso prêmio de 10 milhões de dólares oferecidos pela Quiksilver no caso do americano atingir a marca de 10 títulos mundiais.

Com a oferta, Slater conseguiu motivação para continuar no circuito em 2008 e, caso vencesse e se tornasse eneacampeão, seguir em 2009 em busca do décimo título e dos 10 milhões de dólares. Já na etapa de Mundaka, no País Basco, ele garantiu a taça, após um começo de temporada arrasador. Com isso, pôde se poupar nas duas últimas etapas visando estar na melhor forma física no ano que vem.

Poucos assustaram o americano esse ano. O australiano Bede Durbidge surpreendeu e fechou o ano com o vice-campeonato. O atual campeão Mick Fanning não foi bem e sequer esteve entre os cinco primeiros. Seus compatriotas Taj Burrow e Joel Parkinson mantiveram a boa forma do ano passado e fecharam na terceira e quarta colocações, respectivamente. Completando o Top 5, outro americano, o melhor goofy do circuito, CJ Hobgood. Para a temporada 2009, teremos três brasileiros no WCT: Adriano de Souza, o Mineirinho, que terminou na honrosa sétima colocação; Heitor Alves, que escapou de ser rebaixado ao WQS na última etapa, em Pipeline, no Havaí; e Jihad Khodr, que acabou entre os últimos, mas garantiu vaga na elite do ano que vem por ter terminado entre os quinze primeiros da divisão de acesso.

Agora resta aguardar o início da próxima temporada, com as etapas de Gold Coast e Bells Beach, na Austrália, provavelmente no fim de fevereiro e início de março, respectivamente. E a grande questão que fica é saber se Kelly Slater conseguirá dar o último passo em direção ao paraíso dos 10 títulos e conseqüentes 10 milhões de dólares ou algum outro surfista terá forças para impedi-lo. Os poucos que mostraram que podem incomodar são Durbidge, Parkinson, Burrow e Fanning, caso reedite as grandes atuações de 2007. Ou seja, dificilmente Slater terá problemas em alcançar seu merecido prêmio. Porque ser o melhor surfista do mundo em todos os tempos não é qualquer coisa.

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